Coliseu do Porto com nova vida a partir de 2015

O presidente da direção do Coliseu do Porto, Eduardo Paz Barroso, apontou hoje para janeiro o início de uma nova vida para aquele espaço cultural, marcada por uma nova lógica nos espetáculos, na ligação à cidade e aos artistas.

O próprio edifício será mais valorizado "como marca" da cidade, nomeadamente junto dos seus visitantes, e está também prevista a reabertura de salas secundárias e espaços degradados de que o imóvel dispõe para acolher uma programação mais "alternativa e complementar", revelou Eduardo Paz Barroso, recém-empossado presidente da direção dos Amigos do Coliseu do Porto.

O responsável falava aos jornalistas após um encontro com o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, na Casa do Roseiral, que prometeu ajuda em "tudo o que fizer falta".

"Consideramos o Coliseu uma componente fundamental nas atividades de animação da cidade. É preciso redescobri-lo e é preciso que quem nos visita também o conheça e perceba que faz parte da marca da cidade. Tudo o que fizer falta, nós iremos garantir", assegurou o autarca.

Notando que a questão financeira em torno do equipamento "está completamente resolvida", Moreira garantiu um "Coliseu renascido no próximo ano" e, ao mesmo tempo, "uma cidade em que os espaços culturais vão interagir sem se condicionarem".

"Se disse uma vez não haver razões para preocupação, pus o meu pescoço no cepo. Por isso, podem ter a certeza de que não me vai cair o martelo em cima", afirmou.

O autarca referiu ainda que a Porto Lazer poderá ocupar o espaço com atividades de animação, depois de Eduardo Paz Barroso explicar que a desmontagem da plateia permite ao Coliseu ter "outro tipo de ofertas, ligadas à animação da cidade", funcionando mesmo como a sua "rua coberta" numa altura "em que, em termos climatéricos não é propício para que se façam alguns espetáculos no exterior".

Quanto à "nova lógica" pretendida para o equipamento, o diretor indicou-a em relação aos espetáculos, na ligação à cidade e no relacionamento com os artistas e agentes culturais, bem como através de "preocupações do ponto de vista estético relacionadas com a valorização patrimonial do edifício".

Prometendo para o início de 2015 "um sinal institucional do novo Coliseu" e para "final de janeiro ou início de fevereiro um espetáculo que será a arrancada" de um projeto cultural renovado, o diretor admitiu que "o grande foco em termos de originalidade" na programação "vai ser 2016".

"Estar a falar de programação de 2015 é estar a falar de anteontem", justificou.

Quanto às salas secundárias do equipamento e a "outros espaços que estão um bocadinho degradados", Paz Barroso indicou a perspetiva de poderem ser requalificados "com a ajuda da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte".

"O Coliseu tem de ter a sua vida quotidiana, programações mais alternativas e complementares", observou, esclarecendo estar a referir-se a fundos comunitários "se as coisas correrem bem", porque "a manutenção do edifício é muito exigente e ao nível dos conteúdos há uma série de agentes e produtores que não tem escala para a sala grande".

De acordo com o responsável, a direção não tem "uma política de gosto" mas pretende "qualificar e contribuir para que a pluralidade dos gostos se possa enriquecer, porque é assim que se enriquece uma cidade".

"Sobretudo", acrescentou, uma cidade que definiu a cultura como agente capaz de transformar a realidade, seja ao nível do entretenimento, da educação e dos consumos culturais na sua aceção mais económica".

Notícia Lusa > 09-10-2014